quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Férias com meu Pai

Não havia muito tempo desde que nos viramos pela última vez. Talvez ele estivesse mudado, talvez não. Eu realmente não sabia...
E lá estava eu, sentada no banco do terminal rodoviário de Niterói, esperando que "alguém" chegasse para me buscar. Foi quando um homem, de mais ou menos uns 55 anos, se sentou ao meu lado. Ele usava uma roupa no estilo sport fino e era grisalho. Seus cabelos brancos quase cobriam os olhos azuis redondos, que eu já conhecia.
Num sorriso e, segurando a minha mala, ele disse: vamos?  E eu só pude sorrir.
Já nos dirigindo ao carro, ele perguntava muitas coisas sobre mim, o que eu havia feito nos últimos tempos e quais meus planos para o futuro, dali por diante. Realmente, eu não sabia o que responder... eu estava feliz em vê-lo, mas tinha uma sensação estranha em estar indo para a casa dele e encontrar a, então, esposa dele.
Como se percebesse o que eu sentia, ele disse: "não se preocupe, ela é legal."
Talvez eu tenha ficado mais aliviada.
Ao chegarmos em casa, tudo parecia como sempre foi: quase tudo estava no mesmo lugar.
Então uma senhora surgiu à porta e disse: então é você? E eu disse: acho que sim.
Ela sorriu e me abraçou. Senti que estava tudo certo...
Ela tinha dois filhos: Rodrigo, de 17 anos. E Giovanna de 15 (ora, Giovanna e eu tinhamos a mesma idade e completariamos 16 no mesmo mês o.o)
Todos eram mesmo muito legais... papai, Lilian (sua esposa) Giovanna e Rodrigo.
Giovanna era filha do meu pai, já Rodrigo era filho do outro casamento de Lilian. Mas era como um filho para meu pai.
Meus primeiros dias foram tranquilos... conheci lugares novos, andei de barca, passeamos pelo Rio de Janeiro e eu conheci lugares maravilhosos. Mas logo tudo cairia na rotina, pois eu passaria quase 1 mês lá.
Depois de algum tempo eu já não tinha mais o que fazer, então decidi passear... peguei algum dinheiro que eu  tinha guardado e sai... fui andar um pouco sozinha e conhecer algumas coisas que eu ainda não tinha visto. Aproveitei para ir visitar uma amiga que morava em SJM (um tanto longe...)
Quando voltei para casa, já quase 20h, todos pareciam muito preocupados. Lilian me olhava com aquela mesma cara de reprovação que minha mãe fazia quando eu estava REALMENTE ferrada. Mesmo em meio ao silencio, eu pude ouvir: "estavamos preocupados".
Então eu disse: "Ahm... me desculpe. Eu realmente sinto muito. Eu não sabia o telefone daqui."
E Lilian disse: "a principio você não devia ter saido, Anna." Senti como se eu fosse a pior pessoa do mundo.
E ela terminou: "seu pai está chateado."
De alguma forma esse "chateado" me fez sentir que eu estaria muito encrencada dali por diante.
Então Lilian disse: "melhor você ficar no quarto, até que ele volte. Vou ligar avisando que você chegou..."
Abaixei minha cabeça e fui para meu quarto. Um quarto muito bem arrumado que haviam preparado só para mim... tinha muitas coisas legais, inclusive com pc com internet.
Já pensando na super bronca que eu ia levar, fiquei tentando inventar desculpas, mas não conseguia pensar em nada. Talvez dizer a verdade, que eu estava entediada e gostaria de sair sozinha e quis visitar uma amiga... talvez desse certo. Mas eu sabia que estava errada...
Quase uma hora depois ouvi algo... um tipo de conversa, vindo de perto. Levantei com cuidado para que ninguém me visse e ouvi alguma coisa... meu pai e Lilian falavam.
E Lilian disse: "você sabe que eu não sou a favor disso, mas ela é tua filha e não minha."
Meu pai parecia não querer responder, mas disse: "eu também não gosto. Por favor, não deixe que ninguém suba e não interfira."
Ao dizer isto, ele se virou, como se viesse em direção as escadas.
Corri para o quarto e deitei na cama, como quem quase está dormindo.
Quando olhei para a porta, vi aquele homem que antes parecia bom e gentil e seus olhos azuis grandes e redondos me olhavam como quem não queria fazer algo. E ele entrou...
Antes que eu pudesse dizer algo, ele disse: "não quero ouvir"
Confesso que fiquei gelada naquela hora, mas ele não parecia nenhum monstro. Ele apertava as mãos enquanto falava comigo, quando finalmente disse: Anna, você tem noção de quão perigoso pode ser o Rio de Janeiro para alguém que não conhece a cidade? Sabe o que podia ter acontecido? Sabe aonde podia estar agora? - Eu não podia responder...
Então ele disse que não queria que acontecesse de novo e, mesmo eu tendo dito que não aconteria, ele disse, com um ar um tanto 'do mal': "eu sei que não"senti-me aliviada..."eu vou cuidar para que não aconteça de novo", completou.
Neste exato momento eu vestia uma bermuda bem larga, que inclusive era dele, e uma camiseta que comprara na rua... 
Ele sentou na cama e disse: "além de 'sinto muito' ou 'não vai acontecer de novo' tem mais alguma coisa que você queira dizer?" - Balancei a cabeça como uma resposta negativa, e ele disse: "está bem".
Ele segurou minhas mãos e disse: "acredite que eu NUNCA quis fazer isto, mas você deu motivos..." então ele sugeriu, ao puxar minhas mãos, que eu ficasse de pé. 
Eu me levantei, sem saber porquê, e disse: "fazer o que, pai?" e ele disse: "bater em você"
Eu gelei... minhas mãos ficaram geladas e eu não sabia o que dizer, então eu soltei: "o senhor não pode fazer isso" E ele disse: "não estou pedindo sua permissão, assim como você não me pediu para sair".
- Vamos tornar isso menos difícil, Anna - completou.
Eu não respondi...
Ele pediu que eu me deitasse na cama, mas eu não quis. Então ele me segurou com força e me pos no colo, dizendo: "se não vai por bem, vai a força"
Fazendo isto, ele deu a primeira palmada, que não doeu muito, pois a bermuda amorteceu o impacto.
Eu me senti humilhada e fazia de tudo para sair.
Depois de umas 10 palmadas, ele percebeu que eu não estava sentindo dor. Então fez um unico movimento que tirou minha bermuda e minha calcinha ao mesmo tempo.
Eu gritei: "Pára com isso"
E ele disse: "mais um grito, e você vai desejar nunca ter nascido"
Plaft, plaft, plaft, plaft, plaft... ele começou a me bater. Uma palmada de cada lado, com aquela mão que parecia de ferro.
Eu decidi que não choraria, mas não podia deixar de admitir que começava doer...
Plaft, plaft, plaft, plaft, plaft, plaft, plaft, plaft, plaft, plaft.
Eu sabia que se pedisse pra ele parar ele ia me bater mais, então concentrava meus esforços em sair dali.
Plaft, plaft, plaft, plaft, plaft, plaft.
Então eu gritei: "pára, pai. Por favor"
Ele parou e disse: "avisei para não gritar" 
Ele pegou um chinelo que estava junto a minha cama, era um da marca Ipanema. Era novo, pois eu havia comprado só para levar.
Então eu disse: "não, pai, por favor..."
SLAP! SLAP! SAP! SLAP! SLAP! SAP! SLAP! SLAP! SAP! SLAP! SLAP! SAP!
Ele não economizou na força... cada chinelada me fazia soltar um pequeno grito e implorar para ele parar.
Então ele parou e disse: "quando eu mandar você deitar, você vai obedecer?!"
Com medo de voltar a apanhar daquele jeito, eu disse: "vou..."
Neste momento eu já estava quase chorando... e ele percebeu
Então ele me ajudou a levantar disse: "deita na cama"
Não tive tempo de levantar a bermuda. Ele segurou o chinelo com força e eu acabei obedecendo.
Assim que deitei na cama, ele tirou o cinto que usava na calça... quando eu vi, tentei levantar, mas uma cintada me advertiu de que não devia fazer isto. 
Então ele disse: "a quantidade de cintadas que você vai levar, vai depender de você agora..."
Eu segurei o travesseiro com força, e ele começou:
PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF!
Eu não aguentava mais... acho que não estava acostumada a apanhar assim, e disse:
"por favor, pai, pára... tá doendo demais"
PLAF! Eu tenho PLAF! Certeza  PLAF! de que você  PLAF! vai aprender PLAF! que me PLAF! desobedecer PLAF! NUNCA  PLAF! vai ser PLAF! sua melhor PLAF!  escolha PLAF! 
Então eu comecei a chorar... 
PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF! PLAF!
E assim ele continou.
De repente ele começou a contar, de trás para frente: 


20 PLAF!     19 PLAF!      18 PLAF!      17 PLAF!      16 PLAF!      15 PLAF!


14 PLAF!      13 PLAF!      12 PLAF!      11 PLAF!       10 PLAF!       9 PLAF! 


8 PLAF!      7 PLAF!      6 PLAF!      5 PLAF!       4 PLAF!      3 PLAF!      2 PLAF! 
                                                          
                                                    1 PLAF! 


Ele parou...
Sentou do meu lado e disse:
"Nunca mais me faça fazer isto..."
Eu não aguentava mais de tanto chorar, então ele disse: "isso vai doer por um tempo... espero que você lembre disso antes de fazer outra vez"
Ele saiu e eu fiquei chorando... naquela noite, na hora do jantar, todos estavam muito quietos. Principalmente eu...
Eu me deitei com uma certa dificuldade, mas antes de dormir, ele foi me ver e disse:
"eu não sei o que faria se algo te acontecesse... eu te amo demais"
Ele me ajudou a ajeitar melhor a cama, me deu um beijo e disse, num tom meio sarcástico:
"boa noite".





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